Rainhas Portuguesas

Ciclo de biografias de personagens relevantes na história de Portugal

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Esfera dos Livros

 

 

Reis no exílio, Portugal Refúgio Real

A Europa era devastada por uma guerra cruel e mortífera, Portugal, país neutral, torna-se num destino apetecível para milhares de refugiados que procuram fugir dos horrores da ameaça nazi. Entre estes estão príncipes, reis sem coroa e membros das grandes monarquias europeias que encontram em Portugal um refúgio real.

Em 1940, Wallis Simpson e o duque de Windsor e o rei Carol da Roménia que acabava de ser deposto, chegam a Portugal. Seis anos depois é a vez da família real espanhol se instalar no Estoril. Segue-se o rei Humberto e a rainha Maria José de Itália e a família real francesa. Cascais, Estoril e Sintra, o chamado Triângulo Dourado, locais que recebem estes visitantes de luxo. O bar do Hotel Palácio serve o conde de Barcelona e o conde de Paris, as águas do Guincho acolhem as proezas dos jovens príncipes espanhóis e franceses, o restaurante «O Pescador» é o eleito da condessa de Barcelona que adora os «santiaguinhos», o São Carlos acolhe o rei Humberto ávido de divertimento. O autor Charles-Philippe d’Orléans, duque de Anjou, não viveu estes tempos, mas têm-nos bem presentes na memória graças às histórias que a sua avó, a condessa de Paris, lhe contava sobre a Quinta do Anjinho, a casa da felicidade, refúgio da família real francesa. Aqui se casaram as infantas espanholas Pilar e Marguerita num ambiente de festa nunca antes visto. Maria Pia elegeu Cascais, a vila onde cresceu, como cenário de um matrimónio que encheu as primeiras páginas dos jornais europeus, foi na Villa Giralda, no Estoril, que morreu, em circunstâncias trágicas, Alfonsito irmão de Juan Carlos, actual rei de Espanha.

 

 

O príncipe Charles-Philippe d’Orléans, duque de Anjou, descendente em linha direta dos reis de França. Nasceu em França e vive atualmente em Portugal. Charles-Philippe d’Orléans estudou Ciências Políticas, Relações Internacionais, Comunicação Institucional e Inteligência Económica em Madrid, Paris e Genebra Actualmente, a luta contra as minas antipessoais e a problemática da água norteiam a sua atividade caritativa internacional. Primo do atual chefe da casa real portuguesa, Dom Duarte, duque de Bragança, Charles-Philippe d’Orléans é casado com Diana de Cadaval, e tem laços familiares ou de amizade com todas as casas reais europeias.

O que o motivou a escrever sobre os reis no exílio em Portugal?
Desde que vivo em Portugal, depois do meu casamento com a duquesa de Cadaval, fiquei surpreendido ao ouvir as frequentes referências às famílias reais no exílio neste país.
Na minha busca de literatura sobre esta temática, constatei que existia somente um livro editado nos anos cinquenta.
Existem muitos livros sobre o exílio de uma única família real, independentemente das restantes. Era uma pena não haver um registo escrito sobre todas as famílias reais no exílio.
Por isso foi importante para mim escrever este livro. Por outro lado, ter acesso aos membros dessas famílias reais, tornou mais fácil reunir informações diferentes das que se costumam ler, as histórias mais pessoais.

Qual a importancia de Portugal nos seus destinos?
Portugal foi um país de acolhimento, onde todos os membros das famílias reais foram bem vindos. Essa recepção ainda hoje é sentida pelos descendentes daquelas famílias, tendo alguns deles aqui vivido naquela época, como o rei e os infantes de Espanha, o  rei da Bulgária e os príncipes e princesas da família real de França. Portugal foi o refúgio, numa época, quando poucos países teriam gostado de os receber. Certamente foi uma escolha estratégica de Salazar, mas o povo português participou nesta recepção calorosa. Portugal permitiu, pois, àquelas famílias reais disfrutar um exílio confortável, não muito longe das suas pátrias. E, é fácil compreender o quão importante é para um exilado o sentimento de proximidade do seu país. Portugal está, ainda hoje, profundamente enraizado no coração de cada uma destas altezas reais ainda vivas. É, portanto, a prova que aquela estadia forçada marcou uma geração de Reis.

Que marca deixaram na sociedade portuguesa?
A presença de todas estas famílias reais exiladas marcaram diferentes camadas da sociedade portuguesa. Especialmente as famílias portuguesas abastadas, do mundo da alta finança e da indústria, que privaram com as famílias reais. Os seus filhos brincavam juntos e frequentavam as mesmas escolas. Tornaram-se amigos para toda a vida. Havia também os portugueses que viviam perto das famílias, como os moradores de Cascais ou Sintra, e os que trabalharam para eles ou que cruzaram as suas vidas. Não existe uma, dessas pessoas com quem falei, que não guarde memórias maravilhosas daquela época e dos reis, rainhas, príncipes ou princesas. Porque aquelas altezas reais eram pessoas simples e sabiam fazer-se amar pela população. Sendo os casamentos reais realizados em Cascais e em Sintra verdadeiros acontecimentos populares de sucesso. Os portugueses amavam os seus príncipes e princesas.
Existe um terceiro e importante factor, os benefícios económicos para o país. Os reis e rainhas reuniam uma corte e todo o universo que a rodeava. A presença desses exilados tranquilizou muitos exilados políticos com substanciais meios financeiros: homens de negócios, magnatas da indústria, artistas, estrelas de cinema e palyboys. Encontravam-se todos cá e a «riviera portuguesa» tornou-se o local de reunião da sociedade internacional. O dinheiro causou um impacto significativo na economia local: comerciantes, restaurantes, hotéis, casino, subcontratados, para não mencionar o boom imobiliário.

João Micael

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