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Uma Herança Cultural

Encontramos na nossa língua germanismos herdados dos suevos, dos Alanos e dos Visigodos na terminologia referente ao vestuário (agasalhar, espora, luvas), arabismos (álcool, alambique, zero, alfaiate), galicismos (jogral, trovador, viagem, mote, chapéu), hispanismos (airoso, donaire, prenda, naipe), italianismos (piloto, bússola, arlequim), anglicismos (norte, sul, leste, oeste, lanche, bife, júri, iate), termos de origem holandesa (quermesse), termos de origem russa (mamute, czar), termos de origem asiática (pagode, canja, bengala, leque), termos de origem africana (banana, zebra, batuque), termos provenientes de várias culturas índias da América do Sul (canoa, cacique, canibal, ananás).

A língua inglesa herdou do português as palavras: albino, casta, cobra, pagoda, palaver, port, zebra.
A língua japonesa usa ainda hoje termos portugueses que se referem a alimentos (abóbora, amêndoa, biscoito, bolo, caramelo, coentro, confeito, pão, manteiga, marmelo, tempero), termos referentes ao culto religioso (confissão, cristão, cruz, Jesus, martírio, mistério, sacramento, rosário, santa), termos referentes a relações familiares (ama, irmão). O próprio nome Japão é de origem portuguesa.

Apesar da língua portuguesa ser, como o espanhol, o francês ou o italiano, uma língua românica, um aparte importante do seu vocabulário tem origem nas relações inter culturais que os nossos antepassados estabeleceram com povos provenientes de outros continentes.

Esta influência inter cultural tornou-se particularmente intensa quando as fronteiras geográficas, culturais e políticas deixaram de isolar os povos, deixando de constituir um obstáculo ao intercâmbio entre os povos.
O desenvolvimento dos meios de comunicação, puseram em contacto permanente os povos entre si, independentemente da distância e das barreiras tradicionais.
Actualmente, a língua portuguesa é falada por cerca de 120 milhões de pessoas em todo o mundo, situando-se no 5º lugar das línguas mais faladas, logo a seguir ao chinês, ao inglês, ao russo e ao espanhol. Esta posição deve-se à epopeia dos Descobrimentos que fixou comunidades de falantes do português em África, na Ásia, na Oceânia e nas Américas. Também as sucessivas levas de emigrantes para o Brasil e a argentina, primeiro, para o Canadá e os EUA, em seguida, e, mais recentemente, para diferentes países do centro e do norte da Europa.

A linguagem que se emprega e a maneira como alguém se exprime são extremamente reveladoras – mostram a cultura e a educação, mas também a proveniência social, a região e a fraqueza, a timidez ou a falta de confiança.
Não é exigido um discurso hermético, pomposo e afectado, mas apenas que não se cometam erros gramaticais. Expressões em voga, populares poderão ser empregadas se forem ditas com naturalidade e dentro do contexto.
Deve evitar-se o exagero na utilização de superlativos como ultra, super, hiper… E sobretudo deve-se evitar os pleonasmos: prever antecipadamente, subir para cima, descer para baixo, etc.

Não se diz
Consta-se que foi…
Prontos…
Tu fostes, andastes…
O comer é bom…
Estêjamos…
Tenho um amigo meu…
Quaisqueres…
Entre dez a vinte…
À última da hora
Quanto muito…
A gente vamos…
Haviam…

Deve dizer-se
Consta que foi…
Pronto…
Tu foste, andaste…
A comida é boa…
Estejamos…
Tenho um amigo…
Quaisquer…
Entre dez e vinte…
À última hora…
Quando muito…
A gente vai
Havia…

Fórmulas de cortesia

Obrigado e Obrigada

É a forma de agradecimento mais usada em Portugal. Formada por um adjectivo, varia em género e número. A concordância faz-se com o emissor, isto é, com a pessoa que agradece, e não com o receptor ou a pessoa a quem se agradece. Assim, o homem dirá “obrigado” e a mulher “obrigada” ou “agradecido” e “agradecida”, respectivamente.

“De Nada”

É castelhanismo. Na Espanha, à fórmula de agradecimento “Muchas Gracias!” corresponde a resposta “De Nada!”.
Em Portugal, à fórmula de agradecimento equivalente, respondemos: “Não tem de quê!”, “Não há de quê!”, “Ora essa!”, por exemplo.

Plural Majestático

Este plural é usado por oradores, escritores, professores, jornalistas, políticos, etc, que se assumem como porta-vozes de uma colectividade ou portadores de uma ideia colectiva. O adjectivo “majestático” reporta-se à Idade Média, ao monarca que falava em nome da Nação e era a única voz com legitimidade para usar da palavra em nome de todos. A este plural também se chama, actualmente, “plural de modéstia”.

Diversos

Rubrica

Assunto, tema , item.

Briefing

Resumo, síntese, sumário, sinopse, ponto da situação.

“Honoris Causa”

É uma expressão latina que significa “por distinção honorífica, por motivo ou a título de honra”. Doutor honoris causa, expressão frequente na linguagem académica, significa que o grau de “doutor” foi atribuído “a título de honra”, e não por prestação de provas para progressão na carreira.

Gajo

É um plebeísmo, frequente na linguagem juvenil e popular, mas inadmissível na boca de gente polida ou em situações de discurso que ultrapassem os níveis familiar e popular.

Hemeroteca

Lugar onde se conservam colecções de jornais e publicações periódicas.

A Entrevista

Organização de uma série de questões que levam à partilha do conhecimento de um assunto.
Na entrevista o entrevistador, geralmente, estuda o assunto antes de iniciar as questões, o que lhe interessa é observar como entrevistado organiza o seu saber e o comunica.

O Debate

Debate, contestação. O autor comunica um tema de forma adequada à assistência que o escuta.

O Discurso

Exposição, falada ou escrita, de ideias, própria para persuadir.
O orador tenta sempre captar a atenção da assistência, através da arte de bem discursar, de bem articular, acima de tudo, de bem organizar as ideias e as palavras que melhor servem os seus objectivos.
Um bom orador organiza o tempo e o tom de voz nas alturas oportunas, utilizando inclusivamente os gestos ao discurso.

A Proclamação

Acto ou efeito de proclamar ou de aclamar. Escrito que contém o que se proclama.
O que distingue o discurso e a proclamação é que esta é um anúncio, uma participação usualmente de curta duração, mas sempre originária da fonte do poder. Quem proclama tem a autoridade para proclamar ou recebeu-a de outrem.
Anuncia-se publicamente e em voz alta com solenidade, com tom enfático e dicção cuidada.
Proclama-se um novo rei, um decreto, uma lei, uma vitória, um luto.
Hoje em dia a proclamação está limitada a situações de grande formalismo como a eleição de um novo papa, a abertura do parlamento.
Os restantes comunicados oficiais usam os meios de comunicação social, perdendo consequentemente o tom grandiloquente.

O Anúncio

Aviso verbal ou escrito que torna público um facto.
É a versão popular da proclamação. Ainda se podem ouvir nas feiras, lotas, nas ruas os pregões dos vendedores.

A Declamação

Modo pomposo de discursar. Recitar em voz alta, com gesto e entoação apropriada.

A Declaração

Documento ou discurso que declara, manifesta uma opinião. Notifica solenemente, nomeação, tomada de partido.

A Locução

Como a declamação e o teatro, também a locução é uma oralização de um texto escrito. O locutor comunica notícias, comenta imagens em televisão e rádio.
Os textos são geralmente preparados por si, e deve utilizar um tom neutro de maneira a não parecer envolvido na notícia, mas prendendo a atenção do público.

Comunicam sem hesitação e com fluidez de linguagem.

 

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