Editorial
João Micael

A Cultura está ameaçada?

A primeira, e sempre, sacrificada no altar das ideologias políticas em Portugal é a Cultura – considerada como algo vagamente decorativo, supérfluo, fútil, incompreensível e, pior, confundida com outras “manifestações artísticas” de uns quantos iniciados e clientes do Poder.

Em retrospectiva, a Cultura em Portugal tem sido relevada para segundo, ou terceiro, planos, em prol de obras e eventos “de Estado”, como campeonatos de futebol, construções públicas injustificadas, quando existe e se faz tanto, com total desconhecimento dos portugueses, pois os grandes meios de comunicação social favorecem e incensam informação mesquinha, depressiva e constante sobre desastres, questiúnculas partidárias, programas de entretenimento (?) até à náusea. Pessoas e manifestações criativas verdadeiramente valorosas nas várias expressões artísticas são ignoradas porque não seguem o “mainstream”, nem compactuam com a vulgaridade e mediocridade de algumas personagens, cuja visibilidade e qualidade são fabricadas e atribuídas indevidamente.

A Cultura deveria ser um dos principais focos nas preocupações nacionais, bem como a sua defesa de alguns algozes iluminados auto intitulados detentores da moral e da estética.

A Cultura e o Património são verdadeiras minas geradoras de riqueza, constituindo um factor diferenciador, deverão ser reavaliados, protegidos e tratados como produtos de alta qualidade – o Fado, a Calçada e os Jardins à portuguesa, os monumentos, os locais e as personagens históricas, a gastronomia, os produtos únicos no Mundo como o vinho do Porto, de Carcavelos, entre outros; a tradição equestre, enfim a História. Mas, mais importante, o valor das pessoas que por não lhes ser dada a oportunidade de criar, pensar e executar as suas obras, partem para outras paragens em busca de oportunidades no estrangeiro – os portugueses já não partem munidos de um ideal nacional, mas de um reconhecimento individual fora do seu país, governado por seres cinzentos e castradores da imaginação e do pensamento, verdadeiros motores da Humanidade.

Nesta edição, Portugal Protocolo não segue esta tendência, pelo contrário divulga o que de melhor se faz no nosso país, por nacionais ou estrangeiros com coração português, muitas vezes grandes e melhores defensores e protectores da nossa Cultura.

João Micael
Director de Portugal Protocolo

 

 

 
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